"O melhor da gastronomia embalado para viagem."

... Cozinhar é também fazer poesia. É abrir ouvidos, olhos, boca e nariz para perceber o que faz sentido entre temperos e medidas. É entrar neste estado de coisas latentes e cavar o silêncio....
Juliana Venturelli

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Permacultura,
a cultura permanente
Trabalhar com e a favor da natureza, nunca contra ela.



Permacultura é o planejamento e a manutenção conscientes



de ecossistemas agriculturalmente produtivos, que tenham



a diversidade, a estabilidade e a resistência dos ecossistemas



naturais. É a integração harmoniosa das pessoas e a



paisagem, provendo alimento, energia, abrigo e outras



necessidades de forma sustentável. A permacultura visa trabalhar



com a natureza, e não contra ela, observando os padrões



naturais e transferindo as conclusões para o ambiente planejado.



                                                                                          Bill Mollison

                                           
                                              (Grupo da Permear - Encontro de formação de
                                            
                                                           professores de permacultura)


A permacultura originou-se nos anos 1970 com os trabalhos de dois australianos, David Holmgren e Bill Molison tendo como resultado, a implementação de pequenos sistemas produtivos organicamente integrados. O projeto (ou design) de cada propriedade é elaborado através de métodos ecologicamente saudáveis e economicamente viáveis, que entendem o habitante, a sua morada e o meio-ambiente como partes de um único organismo vivo, favorecendo a reintegração do ser humano ao ambiente e buscando a auto-suficiência, de forma que todas (ou quase todas) as necessidades sejam supridas no próprio local. A longo do prazo, a estabilidade e alcançada, em uma micro-escala, tornando-se permanente.



A Ética da Permacultura


                                               
                                                      (Borboleta "88"- espécie ameaçada
                                                        de extinção)


Para Mollison e Holmgren são três os princípios básicos que fundamentam a ética da Permacultura: (a)cuidar da terra; (b) cuidar das pessoas; e (c) partilhar os excedentes e definir limites para o consumo e a reprodução.
O Cuidar da Terra pressupõe o respeito a qualquer expressão de vida no planeta. É fundamental que se permita e se incentive a continuidade e a multiplicação de todos os sistemas vivos. É cuidando dos ecossistemas, das espécies, das águas, dos solos e da atmosfera, em todos os momentos, que a humanidade viverá em harmonia com o planeta. Esse cuidado deverá estar presente em todas as ações e incorporado ao cotidiano do ser humano de maneira que venha desconstruir as representações sociais do consumismo exagerado e do desperdício.
O Cuidar das Pessoas é fundamental, pois, embora a espécie humana não constitua a maior população do planeta, é a espécie que mais danifica o planeta onde vive. Desta forma, é preciso que todos os indivíduos recebam, pelo menos, o cuidado básico para a sobrevivência. Essas necessidades básicas podem ser traduzidas como abrigo, alimento, tratamento de resíduos, educação, trabalho e relações humanas harmoniosas que garantirão o uso sustentável dos recursos naturais.

Para os autores, partilhar os excedentes e definir limites para o consumo e reprodução são atitudes que estão ligadas ao cuidado com a Terra e com as pessoas. No caso da reprodução humana, este princípio revela o desafio da paternidade responsável que é estendido à reprodução de animais para consumo. Partilhar os excedentes é redistribuir os recursos para além de nossas necessidades, como alimento, dinheiro e tempo. É, também, compartilhar recursos como máquinas e ferramentas de forma cooperativa, priorizando o fluxo em vez do acúmulo. Definir limites para o consumo é a base do consumo responsável.

Para viver de acordo com os princípios éticos da Permacultura, os autores destacam que é fundamental que se incorporem os 5 Rs dos Hábitos do consumo responsável, a toda e qualquer rotina humana.

1- Recusar materiais e atitudes poluentes, tóxicas ou que degradem o ambiente na sua extração ou no seu descarte;

2-Reduzir o consumo dos recursos, controlando necessidades e, principalmente, cortando os supérfluos;

3-Reutilizar materiais e recursos em sua forma original, diminuindo o volume de resíduos que são descartados, evitando o gasto de energia para que sejam transformados em outros elementos.

4-Reciclar materiais, agora chamados de “resíduos”, para que possam voltar ao início do processo como recursos (um novo ciclo).

5-Restaurar o ambiente natural sempre que possível




Filosofia da Permacultura






Trabalhar com a natureza, e não contra ela;

Observar atentamente a natureza e transferir para o cotidiano toda essa observação;

Cooperar em vez de competir e integrar em vez de fragmentar;

Pensar, a longo prazo, sobre as consequências de nossas ações;

Onde possível, utilizar espécies nativas da área, ou aquelas adaptadas sabidamente benéficas;

Cultivar a menor área de terra possível. Planejar sistemas intensivos, eficientes em energia e em pequena escala;

Praticar a diversidade policultural (garantia de estabilidade);

Reflorestar a terra, sistematizar a água e alimentar o solo;

Ver soluções e não problemas;

Trabalhar onde conta (plantar uma árvore onde irá sobreviver; auxiliar pessoas que queiram aprender).
(In: http://www.Permacultura-bahia.org.br/oquefazer.asp, 04/09/2009)

No cerne da Permacultura há um cuidado absoluto com a utilização da terra sem desperdício ou poluição, a minimização do consumo de toda e qualquer energia, assim como a restauração de paisagens degradadas.


A rede de Permacultura Permear


                                        
                                                      Curso de formação de professores
                                                                  em permaculutura

Os Institutos de Permacultura e a Rede Permear de Permacultores


Atualmente são oitos os institutos de Permacultura no Brasil, atuando de forma distinta. Os institutos que formaram a Rede Brasileira de Permacultura (IPAB, em Santa Catarina, IPA, no Amazonas, IPEC, em Goiás e IPEP, no Rio Grande do Sul; IPEMA, em São Paulo ), funcionam hoje como centros de pesquisa, formação e demonstração de tecnologias apropriadas.

A Rede Permear integra permacultores de catorze projetos autônomos em quatro estados brasileiros (Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais) e mais o Distrito Federal. O Sito Abaetetuba é a estação de permacultura sediada no estado do Rio de Janeiro, tem funcionado com o mesmo propósito dos institutos, porém vem atuando legalmente como produtores rurais.

A rede Permear tem como objetivo:

para realizar o desejo comum de fazer e pensar Permacultura coletivamente. Nosso maior objetivo é irradiar esta filosofia de trabalho, a partir de nossas experiências individuais e de grupo organizado, como um conjunto de princípios teóricos e práticos que está possibilitando a construção de assentamentos sustentáveis no Brasil e no mundo, estabelecendo uma relação criativa e co-evolutiva entre os seres humanos e a natureza. (In: http://www.permear.org.br/rede/)
De acordo com informação contida na página da Rede publicada na Internet

Os projetos são chamados de autônomos porque são iniciativas de pessoas, famílias e comunidades que trabalham em cooperação e com recursos próprios para multiplicar os conhecimentos em Permacultura (todos recebem formação como professores do IPAB) e para oferecer exemplos de sistemas produtivos de apoio à vida no lugar onde moram. Nós da Rede Permear costumamos dizer que a nossa teia deve alcançar todo permacultor ou grupo de permacultores cujo trabalho tem como princípio de ação a ética da Permacultura. E queremos para esta rede tudo aquilo que um sistema Permacultural deve conter: diversidade e abundância de idéias e projetos, cooperação, solidariedade, sinergia, diálogo e amor, muito amor. Por fim, que seja para todos um caminho de transformação.

(In: http://www.permear.org.br/rede/,04/09/2009)



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